13 maio 2026

Adeus à Nossa Guerreira

Adeus a nossa Guerreira Clene Valadares 
Por Maria Farias

Seu canto de liberdade,
Sua luta persistente,
Seu estímulo para os jovens
Seguirem sempre em frente,
E sua simplicidade 
Com solidariedade 
Lhe fez a mulher valente.

És poeta competente
E marcastes nossa história,
Com poemas mais diversos
Dando a liberdade glória.
Combastestes injustiça,
Sem jamais ter a cobiça 
Dentro desta trajetória.

Marcantes nossa memória
Com poemas de alegria
E nos momentos difíceis
Tivestes sabedoria. 
Seguintes sempre cantando
E com teu canto vibrando
Contra toda hipocrisia.

O Divino lhe queria
Lá no céu para brilhar,
Por isso recentemente
Resolveu lhe resgatar.
Mas o seu belo legado
Pode ser observado
Aqui e em todo lugar.

Para te homenagear
Falaria o dia inteiro,
Porém eu vou concluir 
Meu poema verdadeiro,
Dizendo que eternamente
Estarás em minha mente
E em meu coração inteiro.

Maria Farias

poemas pra Seu Inácio

 Quando Nazaré da Mata

deu seu Inácio ao sertão

o passaporte político

de peso e honesta visão

Jesus abriu as cortinas

de quem plantava algodão

(Zé Tenório)


FALECIMENTO DO GRANDE CHEFE.

INÁCIO MARIANO VALADARES

.(João Monteiro de Lima)

O nordestino soluça
Envolvido nos pesares
Que Pernambuco perdeu
Um dos vultos populares
Aviso neste prefácio
A falta que faz Inácio
Mariano Valadares.

No dia quinze de dez
De 66 o ano
São José ficou vestido
Em negras faixas de pano
A morte sem piedade
Trancou a nossa cidade
No porão do desengano.

Nesta data em São José
As nove horas do dia
Gemido soluço e pranto
Em toda rua se ouvia
O seu armazém fechado
O sino penalizado
Chorosamente batia.

Comparava seu Inácio
O auriverde pendão
Da esperança do povo
Nascida no coração
Defensor da humanidade
E a chave da caridade
Conduzia em sua mão.

Padece todo o comércio
Camponeses lavradores
Porque recebiam dele
Favores e mais favores
Essas almas enlutadas
Com as lágrimas derramadas
Dos olhos dos moradores.

Germinou o sentimento
Morreu a nossa alegria
Na grande recordação
De quem contente vivia
Destruiu-se a fortaleza
Morrendo o pai da pobreza
Que o sertão possuía.

Gostava de dar conselhos
E abominava tédio
Comenta a humanidade
Porque perdeu esse prédio
Não tem de quem se valer
Pobre agora vai morrer
Sem tomar mais um remédio.

Mundo novo, Curralinho
São Vicente, Itapetim
Brejinho, Santa Tereza,
Tigre, Riacho e Bonfim
Tuparetama nos pede
Pra São José ser a sede
Do sentimento sem fim.

Obedecemos a ordem
De Jesus Pai soberano
Embora que fira a alma
Do povo Pernambucano
O seu corpo a terra come
Mas fica vibrando o nome
De Inácio Mariano.

No dia do seu enterro
Era grande a multidão
Chegava de todo canto
Jeep Rural Caminhão
Na rua o povo agrupado
Muitos no campo Sagrado
Já esperando o caixão.

Depois que o caixão entrou
No portão do campo santo
Lamento, gemido, aí
Se ouvia por todo canto
Só era em que se falava
Dr. Cid acompanhava
Também enxugando o pranto.

O Dr. Cid Sampaio
Fez um discurso bonito
A sua voz ecoava
Nas linhas no infinito
Por ser grande na tribuna
Falava sobre a coluna
De São José do Egito.

Professor Zé Rabelo
Membro da educação

Falou que a voz parecia
Estremecer o caixão
Quem foi bandeira de paz
Hoje seus restos mortais
Dormem debaixo do chão.

Setenta e um anos e meses
Foi o tempo que viveu
Deixou o sertão de luto
Quando desapareceu
A morte fechou seus portos
Foi pra cidade dos mortos
Unir-se a quem já morreu.

Zé cordeiro e Zé Paulino
Junto ao povo Tabirense
E Cícero Gomes lamenta
Tanto que não se convence
Júlio Cordeiro indeciso
Comentando o prejuízo
Do Vale Pajeuense.

10 maio 2026

breve histórico da luta pela usina

 

A antiga Usina de Beneficiamento de Algodão de São José do Egito, localizada no Sertão do Pajeú, carrega uma história rica, tanto no âmbito industrial quanto cultural. Construída durante o auge da produção algodoeira na região, a usina foi um marco de desenvolvimento econômico para a cidade e o Nordeste. Durante décadas, desempenhou um papel central no processamento do algodão, sendo um pilar da economia local até sua desativação.

No auge de suas atividades, a usina foi ainda palco de manifestações culturais, incluindo circo, teatro, cantorias e serestas, além de fornecer energia para a cidade através de um sistema termodinâmico, antes da construção da hidrelétrica de Paulo Afonso.

Após seu fechamento, o prédio ficou abandonado, mas sua importância cultural não foi esquecida. Na década de 1980, a artista, ativista e educadora Clene Valadares ocupou o espaço, criando a “Escola Usina de Algodão”, que oferecia cursos de línguas, artes, capoeira, além de uma escola maternal, uma biblioteca comunitária e um museu popular.

Durante a década de 1990, o espaço chegou a contar com o trabalho de uma funcionária municipal para a biblioteca comunitária da Usina, uma vez que a cidade ainda não tinha uma biblioteca pública, que seria fundada posteriormente.

Nos anos 2000, diante da ameaça de demolição pelo poder público municipal, a comunidade se mobilizou em defesa de sua preservação. O Conselho de Cultura do Estado foi acionado para intervir. A população de São José do Egito, conhecida como a "Terra da Poesia", assistia com tristeza à possível destruição de um edifício que representava uma memória viva de sua história econômica e cultural.

Foi nesse cenário que, em janeiro de 2007, surgiu o "I Festival Porta da Índia de Cultura Livre", realizado dentro da própria usina. Inspirado pelas ocupações contraculturais, o festival trouxe múltiplas linguagens artísticas, como música, teatro, poesia, cinema e artes visuais. O objetivo era não apenas celebrar a diversidade artística da cidade, mas também chamar a atenção para a preservação da usina como patrimônio histórico. A essência do festival estava enraizada em um senso de urgência, com o intuito de valorizar a história social e cultural daquele espaço ameaçado.

No ano seguinte, em janeiro de 2008, o festival retornou para uma segunda edição, ainda maior. A divulgação em programas televisivos, como o "Sopa Diário", trouxe maior visibilidade ao evento, atraindo caravanas de artistas e espectadores. O clima de efervescência cultural e sincronia criativa seguiu fortalecendo o festival como um ponto de encontro para expressões culturais contra-hegemônicas.

Clene, a sacerdotisa desse espaço, ancestralizou em 2019, no entanto o projeto de memória da multiartista, ativista e educadora continuou. Seu legado de resistência foi eternizado em um livro póstumo intitulado “Sendo Maria Também, Que Destino Me Convém”, organizado por sua filha e com incentivo do FUNCULTURA, tendo sido acompanhado de diversas ações educativas e culturais, como espetáculos, lives e oficinas de leitura e escrita. Atualmente, reforçando a continuidade do projeto em 2023/2024, temos nos aproximado da Escola Livre de Museologia Política, nos matriculando em suas diversas formações que tem nos possibilitado diversas trocas, onde prosseguimos engajados nessa potente partilha de experiências com outros grupos e espaços de memória e ancestralidade.

Atualmente o poder público municipal novamente ameaça o patrimônio industrial e a memória social de nosso povo, agora, segundo fontes confiáveis, à serviço da especulação imobiliária. nesse sentido, a secretaria de obras construiu um laudo que autoriza a demolição total do prédio histórico, em função de interesses privados, sem observar a grandeza histórica da citada edificação.

Nesse sentido é urgente que se instaure um processo de tombamento e um plano de restauro do espaço, com a ciencia de todas as potencialidades desta edificaçãotão amada por nós.

Adeus à Nossa Guerreira

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